sábado, 16 de setembro de 2017

Excerpto: Claudio de Chaby e os Excerptos Historicos



Cláudio de Chaby (1818-1905) é, sem dúvida, um dos grandes historiadores militares portugueses do século XIX e os Excerptos Historicos e colecção de documentos relativos á guerra denominada da Peninsula e ás anteriores de 1801, e do Roussillon e Cataluña, publicados em 1863 é o terreno onde mais se potenciou o seu talento literário. Parte do cronismo quase estatístico e elabora detalhadamente sobre a condição das tropas no terreno, em todos os níveis e classes sociais. Foi o grande compilador de memórias militares de vários oficiais das guerras revolucionárias, algumas delas inéditas.

A combinação de trabalho arquivista exaustivo e abrangente, a recolha de memórias pessoais dos protagonistas (qualquer que fosse o seu grau de importância hierárquica), e finalmente a elegância como descreve os acontecimentos de época, Estes são talvez os traços mais interessantes do autor

Em cartas suas no Arquivo Histórico Militar, Chaby refere-se a um veterano de Artilharia de Elvas que lhe contou alguns pormenores de um brinco militar próximo de Vila Viçosa, assistido pelo Principe Regente e D. Carlota (e pelo veterano, então moço), em inícios de 1806, meio século depois dos eventos, em que se recriava a batalha de Austerlitz, ganha por Napoleão no ano anterior, incluindo uma "réplica" da choça de Napoleão com função decorativa, além do jovem clarim negro da Legião de Alorna, com sua jaqueta azul celeste e mangas negras.

Aqui fica um pequeno excerto do seu primeiro volume, dedicado à Guerra do Roussilhão e Catalunha (1793-1795), especificamente sobre os acontecimentos de 17 e 20 de Novembro de 1794, quando o Exército Republicano faz recuar o Exército espanhol e, com este, o Exército Auxiliador português.

«O estrepito pavoroso das detonações da artilheria: o clarão vivaz da polvora incendiada, perturbando como em ondulações igneas de movimento tremulante e quasi sucessivo, a frouxa luz crepuscular; o estrondo repetido das descargas de espingarderia; o sinistro soído de ferros em golpes de pugna; o rumor do tropel dos ginetes em carreira: os clarins estridentes, as caixas de guerra chamando ao combate, tudo emfim que constitue o cortejo da guerra nos seus horrores e majestade, chamando morte, destruição, e sangue, tudo anunciava ao despontar d'aquelle dia o triumpho previsto e desejado por Perignon, a desgraça já imminente, e que em breve ia cair sobre o exercito peninsular; desgraça que, não obstante, illustrou o valor das tropas, o valor e a pericia de alguns generaes.»

Claudio de Chaby (1863), Excerptos Históricos (Volume I), Imprensa Nacional:Lisboa, p. 125.

Este volume pode ser lido ou descarregado em pdf no GoogleLivros, aqui.

(Seria interessante uma reedição anotada, facsimilada, desta excelente obra)

LIGAÇÕES
Conheça a biografia deste autor em Portugal Diccionario Historico, aqui
Ainda, o artigo "O General Cláudio Chaby, Cronista e Arquivista", de Manuel Amaral, aqui.

Memeando: "A Cisplatina é nossa!"


O visconde da Laguna e o 
poder de persuasão no jogo político, militar e de sociedade

Excerpto: Raul Brandão, apresentado por Vitorino Nemésio


RAUL BRANDÃO
(1867-1930)

Por Vitorino Nemésio

Raul Brandão é dos maiores prosadores estreados no fim do século XIX e um dos temperamentos mais originais que se exprimiram na nossa língua. Herdeiro do estilo transparente de Eça de Queirós e criado na sua luminosa ironia, excedeu-o no sentido grave da vida e na agudeza psicológica que explora o subconsciente.[...]
A História é outro campo de trabalho preferido por Raul Brandão, sobretudo as épocas de revolução e de crise – Invasões Francesas, Liberalismo, República –, em que a intriga domina o cenário político e em que a ordem social subvertida permite que as paixões venham à-de-cima e que a comparsaria histórica irrompa pelo palco reservado aos grandes personagens. Mamórias, cartas, papéis íntimos, o recheio das casas, a papelada burocrática e as ordens regimentais, de tudo Brandão extrai um pormenor significativo, uma bagatela que tiraniza os homens nas suas manias e ingenuidades e as faz triunfar sobre os interesses gerais e a própria razão de Estado. 
El-Rei Junot é uma espécie de 1812 em prosa, sinfonia triunfal em ritmos de paródia: as divisões desmanteladas mas ainda impetuosas de Junot atravessando a península, o sonho de Napoleão caldeando-se com o pânico e o grotesco de uma população perturbada no seu longo sono histórico. A marcha das tropas, as étapes nos descampados, a fuga da populaça desamparada e infeliz, tudo é dado numa atmosfera de pólvora e de pó, em que o humano triunfa pelo sonho e pela dor da «farsa» trágica. A pintura da corte de Queluz e da Lisboa, dos desembargadores e dos frades, embora feita de elementos heterogéneos  e violentados pela preocupação do pitoresco e do patético, é larga e impressiva. E a seriedade da fibra nacional ferida resulta mais nítida dos lances anárquicos do conflito. 
A Conspiração de Gomes Freire dá o lado íntimo, biogratativo, de transição do velho regime para o novo. Gomes Freire é desenhado como acentureiro, patriota, letrado e amoroso. A sombra de Matilde de Melo («felizmente há luar») suaviza o calvário do general napoleónico, mação e conspirador, que paga na forca o seu desprendimento e as suas leviandades. 
No prefácio das Memórias do Coronel Owen (O Cerco do Porto) e nas suas próprias Memórias (3 vols.), Raul Brandão fecha este seu ciclo de petit histoire, espécie de diário de um povo que toma consciência dos tempos modernos através da dissolução e da reforma da sua intimidade histórica. As Memórias de Brandão correspondem ao fim da Monarquia e aos primeiros anos da república, e devem ser lidas com a prevenção de quem vai ouvir o testemunho suspeito mas psicologicamente precioso de um espectador interessado apenas pelo lado mórbido do drama. A verdade que delas sai é psicológica, atmosférica – não é histórica. Os prefácios que Brandão escreve para elas reconciliam-no, pelo seu ar de mensagem ou de visão do mundo, com a pureza e seriedade da alma e do povo português.

Vitorino Nemésio, Portugal, a Terra e o Homem: Antologia de Textos de Escritores dos Séculos XIX-XX, Ed. Fund. Calouste Gulbenkian, Viseu, 1978. (pp. 85-87)

Imagem
- Fotografia de Raul Brandão, Wikicommons

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Apontamentos: Abril de 1812, a quarta “invasão” de Marmont


Abril de 1812: a quarta “invasão” de Marmont

Os acontecimentos desta altura representam um dos pontos altos de Lecor no comando da Beira Baixa, com uma retirada ordeira para Sarnadas / Vila Velha do Ródão face à aproximação de um número considerável de franceses, destacados da força principal de Marmont.

A incursão de Foy servia o objetivo de ameaçar as operações de cerco em Badajoz, assim como de forragear em força, dada a relativa exaustão na Espanha. O facto de ter comprometido apenas uma divisão, a 2.ª de Lamartiniere, contra Castelo Branco (e a passagem do Tejo em Vila Velha), mostra que era apenas uma demonstração em força.

Todas as aldeias onde os franceses passaram sofreram a mais absoluta recolha de materiais, incluindo a madeira das casas, assim como toda a forma de violência e mortes. Cemitério de vivos, escrevem de Alpedrinha.

Antecedentes

Desde Abril de 1811, Lecor volta a comandar a Beira Baixa, após ter saído das Linhas no comando da brigada portuguesa da recém-criada 7.ª Divisão.

3-6.5.1811 – Batalha de Fuentes de Honor. Lecor já não comanda a brigada portuguesa da 7.ª Divisão.

16.5.1811 – Batalha de Albuhera.

2.8.1811 – Wellesley em Castelo Branco.

Ação

28.2.1812 – Collins recebe o comando da futura 6.ª Brigada Portuguesa (7+19+2). ORDENS DO DIA, Beresford. Quem estava antes?

16.3.1812 – Início do 2.º sítio de Badajoz.

1.4.1812 – Alten muda o seu QG para Alfaiates.

2.4.1812 - Alten muda o seu QG para Sabugal.

3.4.1812 - Alten muda o seu QG para Benquerença. Ficam o dia seguinte.

5.4.1812 – Alten muda o seu QG para Pedrogão. É informado que os franceses se dirigiam para o Sabugal, mas depois desviaram para Fuente Guinaldo. Deu azo a conjeturas, mas Alten decide prosseguir no dia seguinte para Castelo Branco.

6.4.1812 – Tomada de Badajoz pelo exército aliado.
6.4.1812 – Alvoroço geral na comarca de Alpedrinha, “pelas notícias que o inimigo ameaçava pela estrada de Coria a nossa fronteira”.

7.4.1812 – Alten para em Castelo Branco.

8.4.1812 – Alten passa o Tejo para a margem esquerda, em direção a Nisa, pensando ter cumprido a missão que lhe havia sido atribuída.

9.4.1812 – Franceses entram em Alcaide, onde se repartem, uns para o Fundão, e outros para Alpedrinha, ficando em Alcaide o General Foy com uma escolta.
9.4.1812 – Marcha para NIZA. Victor Alten recebe lá comunicação de Lecor, que o inimigo chegou ao Fundão em força. Envia um “officer’s party of hussards”

10.4.1812 – Francezes entram em Alpedrinha. Cerca de 8 mil homens.
10.4.1812 – Bereford escreve de Badajoz, dando ordens a Lecor para que permaneça em, ou perto de, Castelo Branco o máximo possível sem se comprometer face a uma força superior, e que a retirar o deve fazer para Abrantes o mais lentamente possível, pela margem direita do Tejo. Informa-o que Alten está na área e que deve cooperar.

Je vous repete de ne pas ceder plus de terein que vous n’etes en prudence obligé de faire.” (Beresford, 10.4.1812)

A importância de Castelo Branco estava em que se localizava num nó rodoviário fulcral para ligar o sul ao norte da fronteira e o eixo Badajoz/Ciudad Rodrigo, as principais portas de entrada em Portugal. Caindo Castelo Branco, rápido cairia a passagem de Vila Velha e a ligação mais rápida entre norte e sul, que Wellesley usou de forma muito inteligente.

11.4.1812 – Sábado. Saiem de Alpedrinha com direção a Castelo Branco. “[...] mas continuou a passar por aqui todo esse dia, e seguinte, tropa, que desfilava do Fundão para aquella cidade: nesta se dividiram em dois corpos, e sahiram ambos no dia 13 de noite, um pela estrada de Escalos de Cimaa saquear os povos da raia, como Medellim, Pedrogão, etc. outra por Atalaia em direitura ao Catrão, e se reuniram no Alcaide com a escolta do General”.
11.4.1812 – 14 horas. Lecor avista duas colunas, que vinham pela estrada de Alcains, cobrindo a sua vanguarda com 6 esquadrões de cavalaria.
11.4.1812 – Victor Alten, sob ordens de Wellesly, volta a passar o Tejo, a tempo de cobrir a retirada de Lecor para SARNADAS.

As forças disponiveis das Millicias, com que me achava, não excedião os 1600=homens: era pois d’absoluta necessidade o retirar-me: a voz de marcha foi dada dipois da Guarda avançada inimiga ter entrado na cidade, e a Divisão de Millicias do meu commando cobrindo todo o trem dos Hospitais, alguns generos, e duentes, marchárão na milhor ordem para Villa Velha ahonde premaneci athe pella manhãa seguinte em quanto desfilou pella ponte os combois, gados, e toda a gente que por aquelle ponto pertendeu salvarse [...]”


12.4.1812 – Domingo. Vila Velha. Lecor combinou-se com o 1.º Regimento de Hussares KGL: “fui occupar o Passo da Milhariça”.
12.4.1812 – Alten avançou desde Sarnadas e encontrou vários esquadrões de cavalaria e um batalhão de infantaria perante Castelo Branco. Uma pequena escaramuça tomou lugar, em que os hussardos sob o Cornet Blumenhagen, empurrou a guarda avançada contra o corpo principal, tendo feito um prisioneiro. Contudo, os francezes mantêm a posição. Os Hussardos deixam piquetes e retornam a Sarnadas.

A boa vontade e dispozição que observei em geral nos Millicianos, e a boa ordem com que executárão a retirada á vista do inimigo com o vagar que exigia a marcha de hum comboi de carros, faz o elogio desta tropa, e dá bem a conhecer do quanto são suceptiveis.”
13.4.1812 - Saiem 2 corpos franceses de Alpedrinha, de noite.
13.4.1812 – De manhã, os franceses retiram-se em direção a Penamacor com alguma precipitação.
13.4.1812 – Os Hussardos entram em Castelo Branco à 9 (da noite?). inimigo retira para Pedrogão até ao chegada do exército aliado a 16.

14.4.1812 – Franceses retrocedem sobre Alpedrinha, ao princípio da noite, “onde surpreenderam muitas pessoas de todas as idades e sexos, satisfazendo aos impulsos da mais brutal sensualidade, [...]”.
14.4.1812 – GUARDA.
l
15.4.1812 – Franceses saiem de Alpedrinha e seguem para Capinha, pela estrada do Sabugal.

17.4.1812 – Wellesley chega a Castelo Branco, vindo de Badajoz.

19.4.1812 – Wellesley em Castelo Branco. Recebe as primeiras informações acerca dos acontecimentos na GUARDA, através de um alferes de milícias e alguns sargentos. A data do combate não é especificada.

4.6.1812 – Lecor promovido a Marechal de Campo.

22.6.1812 – Batalha de Salamanca ou Arapiles.

31.7.1812 – Ordem do Dia que o promove a Marechal de Campo.

12.10.1812 – Lecor comendador honorário da Ordem da Torre e Espada.


Carta de Lecor a Forjaz, Castelo Branco, 14.4.1812
AHM/DIV/1/14/097/42 [ff 21-22]

Tenho a honra de participar a V. Ex.ca. para por na prezença de S. A. Real que tendo o inimigo entrado em Alpedrinha no dia 10, como participei a V. Ex.ca. no meu ultimo officio, no dia immediato ás 2 horas da tarde avistei duas Columnas, que se dirigião a esta cidade pella estrada de Alcains, cobrindo a sua vanguarda com 6 eesquadrões de Cavallaria.

As forças disponiveis das Millicias, com que me achava, não excedião os 1600=homens: era pois d’absoluta necessidade o retirar-me: a voz de marcha foi dada dipois da Guarda avançada inimiga ter entrado na cidade, e a Divisão de Millicias do meu commando cobrindo todo o trem dos Hospitais, alguns generos, e duentes, marchárão na milhor ordem para Villa Velha ahonde premaneci athe pella manhãa seguinte em quanto desfilou pella ponte os combois, gados, e toda a gente que por aquelle ponto pertendeu salvarse, e dipois combinando-me com o 1.º Regimento de Hussares que passou do sul do Tejo, fui occupar o Passo da Milhariça para me por ao alcance de poder executar as ordens superiores de que estava munido. //

A boa vontade e dispozição que observei em geral nos Millicianos, e a boa ordem com que executárão a retirada á vista do inimigo com o vagar que exigia a marcha de hum comboi de carros, faz o elogio desta tropa, e dá bem a conhecer do quanto são suceptiveis.


O inimigo logo que se me reunio alguma Cavallaria do 1.º de Hussares, não se atreveu a avançar. Hontem pella manhãa se retirou desta cidade em direcção a Penamacor com alguma precipitação.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Apontamentos: A Evasão dos 33 Portugueses


A Evasão dos 33 Portugueses

AA, 33: 70-71

 [Montevideo, mayo 26 de 1817.]

/Senhor
Aprezentando-se muito Raramente ocazioens, que enchão tanto o Coração de hum Chéfe, que dezeja acreditar as Suas Tropas, e o Comando, que dellas se lhe conferio, como a prezente, gostosamente lanço mão della para levar ao Soberano Conhecimento de Vossa Magestade hum sucesso daquelles, que aparessem  de Seculo, em Seculo, e que tem o mesmo Cunho dos que tanto honraráo os Heroes Portuguezes.

[25.5.1817]
No dia de hontem entrarão nesta Bahia os individuos, comprehendidos na Rellação incluza; que protegidos pela Divina Mão, que abençoa o Reinado de Vossa Magestade, e os homens, que servem com virtude a Sua Patria, e o Seu Monarca, lograrão libertar-se gloriosamente da pezada escravidão,em que gemião.

Este Successo hé acompanhado de circunstancias demaziadamente notaveis, e que reflectam muita importancia em todos os individuos,  que  nelle  tiverão parte, e  com especcialidade no Tenente Jacinto Pinto d'Araujo Assistente do Quartel Mestre General, que, de acordo com o Alferes Francisco Antonio da Silva da Cavallaria desta Divizão, concebeu, e levou a efeito huma Empresa tão benemerita, e que tanto honra lhe faz.

Estes officiaes estavão, com os outros prizioneiros, em Santo Domingo Soriano, junto da confluente do Rio Negro, debaixo da guarda, que hum Tenente Comandava; e sabendo, que naquelle Porto se achava huma Balandra, com Bandeira Oriental, carregada com petrechos de guerra; projectarão apossar-se della, não só para subtrahir-se á pezada escravidão, que os oprima, mas para tirar ao inimigo hum tão avultadonumero de Artigos, intereçantes ás suas Operaçoens, como os que a dita Balandra continha.

[17.5.1817 - noite]
A Providencia protegeu tão nobre, honrado, e bravo pensamento; e deixou que elles, na noite do dia 17 do corrente, tendo podido praticar na parede da sua prizão huma abertura por onde sahirão, sem que pelas Sentinellas fossem persentidos, se dirigissem á praia, onde, malograda a esperança de achar embarcação,  em  que se transbordassem  para a Balandra indicada, possuidos absolutamente do seu objecto, e Resolvidos a sacrificar por elle as Vidas, que tão comprometidas ja tinhão, corajosamente se lançarão a nado; e conseguido apossar-se de huma lancha, que perto havia, apezar dos gritos, com que os donos querião embaraça-los, lograrão finalmente apoderar-se da Balandra - Cinco de julio - e de toda a sua tripulação e Carga, Arvorando, cheios daquelle inexplicavel goso, que dá o bom Resultado, quando elle nace do Valor e da Virtude, o Sempre Triunfante Pavelhão das Sagradas Quinas Lusitanas, que muito á pressa construirão, o melhor, que as circunstancias lhes facilitarão.

[19.5.1817 ]
No dia 19 do corrente, Navegando para esta Praça, derão vista, junto de Martin Garcia, de huma Embarcação de Guerra, e julgando pela situação, que pertencia aos Orientaes, decidirão tomala, e só os dissuadio o saberem depois, que era de Buenos Ayres, para onde forão dirigidos pela ditaEmbarcação, a cujo Comandante contárão, que gente erão,  de que circunstancias vinhão e o fim a que se propunhão.

O Director Supremo daquelle Governo muito generosamente lhes franqueou quantos Socorros necessitavão, e teve a bondade de os enviar a este Porto, onde felizmente chegárão, dando a todos os Individuos desta Divizão hum Soblime Exemplo de bravura, honradez, e lealtade; e hum dia de completa Satisfação.

Inclusa Remeto a Vossa Magestade a Lista dos Objectos, aprezados a bordo da Balandra pelos Vallentes Prizioneiros, cujos nomes contem a Rellação indicada, e Rogo a Vossa Magestade, com a maior Submissão que, Servindo-se Usar da Sua  Real Munificencia, Haja por bem Tomar em Consideração hum facto, que tanto acredita o Patriotismo, e a Valentia dos que nelle intervierão, Dignando-se conferir a tãodistintos Vasallos  aquelles Premios de que se fazem merecedores.

Deos guarde a Vossa Magestade muitos annos.

Monte Video 26 de Maio de 1817.
De V. Mag.de Fiel Vassallo
Carlos Frederico Lecor.




Relação dos prisioneiros Portuguezes, que no dia 17 de maio tão gloriosamente se libertarão

4/9 (Castillos) – 10 (Legião São Paulo e Reg Milícias Rio Grande)
2/12 (Rocha, forragens) – 4 (2.º RI)
8/12 (Mata Ojo/Sauce) – 12 (Cavalaria DVR)
11/12 (Rocha, marcha para o exército) – 2
19/12 (Maldonado, a buscar água) – 2 (1.º BatCaç)
25/12 (Santa Teresa) – 3 (Artilharia)

Rocha em 11 de Dezembro de 1816, marchando para o exército:
- Ten Jacinto Pinto de Araújo + Alf Francisco Carneiro de Fontoura (RMRG) 

Estado Maior
Jacinto Pinto de Araújo, Tenente, prisioneiro em Rocha em 11 de Dezembro de 1816, marchando para o exército.

Cavalaria
Francisco Antonio da Silva, Alferes da 4.ª companhia, prisioneiro em Mata-ojo em 8 de Dezembro de 1816, em attaque
Vicente Ferreira Brandão, Alferes da 10.ª companhia, idem
Manuel Coelho, Furriel da 6.ª companhia, idem
José Manoel, soldado da 3.ª companhia, idem
Manoel Ventura, dito, dito, idem
José Cardozo,  dito da 4.ª companhia, idem
Antonio Rodrigues, dito, dito, idem
José Procópio, dito, dito, idem
Domingos Rodrigues Villarinhos, dito da 10.ª companhia, idem
José Garcia, dito da 12.ª companhia, idem
Antonio Valles, dito, dito, idem
Antonio Braz, dito, dito, idem

Artilharia
João Custodio Villas-Boas, Cadete da 1.ª companhia, prisioneiro em Santa Thereza em 25 de Dezembro de 1816. Estava destacado.
Antonio de Almeida, Soldado da 2.ª companhia, idem
Florêncio Roza, dito, dito, idem

Primeiro batalhão de Caçadores
Vicente de Oliveira, Corneta da 5.ª companhia, prisioneiro em Maldonado em 19 de dezembro de 1816, sahindo a ir buscar agoa.
Manuel da Cruz, soldado da dita, idem.

Segundo Regimento de Infantaria
João dos Reis, Soldado da 1.ª companhia de Granadeiros, prisioneiro em Rocha em 2 de Dezembro de 1816, em attaque de forragens.
Francisco de Carvalho, dito, dito, idem.
José Correia, dito, dito, idem.
Filipe Henriques, dito, dito, idem

Esquadrões de São Paulo
Joaquim José de Bettencourt, Tenente da 3.ª companhia, prisioneiro em Castillos em 4 de setembro de 1816, em attaque.
João Ribas Sandim, Cadete da 2.ª companhia, idem
José António de Oliveira, Cabo da 4.ª companhia, idem.
José Joaquim de Barros, Soldado da dita, idem
Manuel Gonçalves, dito, dito, idem.
João Rodrigues, dito, dito, idem.
José Francisco de Sequeira, dito da 2.ª companhia, idem.
Joaquim Rodrigues, dito, dito, idem.

Regimento de Milícias do Rio Grande
Francisco Carneiro de Fontoura, Alferes da 1.ª companhia, prisioneiro em Rocha em 11 de Dezembro de 1816, marchando para o Exercito.
Francisco Antonio, Soldado da 3.ª companhia, prisoneiro em Castillos em 4 de Setembro de 1816, em attaque.
Manuel Silverio, dito, dito, idem.

(+ 9 paisanos, agregados à divisão, prisioneiros em differentes lugares).

Bibliografia

- Comisión Nacional Archivo Artigas, ARCHIVO ARTIGAS, Montevideo, Monteverde, tomo 33.

Apontamentos: Pablo Paéz


Fontes principais: SILVEIRA | OTORGUÉS

26/11 – 
Destaquei no  dia  26  o  Ten. Coronel  Paiva  com  os  dous Esquadroes  da  Legiaó  do  Rio  Grande,  e  hum  Destacamt."  do Batalhaó  de  Inf.",  fazendo  todo  a  força  de  duzentos  homens; ordenando-lhe  que  marchase  pela  m."  direita,  atravessase  o Rio  Negro  no  PASSO  DE  MANSANGANA,  explorasse  a  margem direita  com o  objeto  de  cortar,  ou  apanhar  algumas  Cavalhadas ou Partidas Inimigas.

Mandei  o  Ten.  Coronel  Pessanha  com  hum  Esquadrao de  Voluntarios  Reaes,  reunir-se  a  huma  Partida  de  cento,  e cincoenta  homens  que  antecedentemente tinha  mandado  explorar a minha ezquerda athe GUAZUNAMBY, e que entaõ se achava no Arroio da Muga; 
/ ordenando-lhe que marcha-se pelas cahidas da  Coxilha  grande,  em  direcçaã  ao  Arroio  Pablo  Paes  athe  se reunir  comigo  no  Cordovez,  aonde  tambem  se  deveria  reunir o Ten. Coronel Paiva.

Julguei  conveniente destacar  estes dous  Corpos  naó  só para  pór  o  Inimigo  cm  confuzaó,  sobre a  direcçaó  que eu  devia seguir,  e  evitar  que  na  minha  Retaguarda  ficassem Partidas enfestando  o  Paiz;  mas  tambem  para  cortar  algumas Cavalhadas  de que tenho  a maior  precizaó,  e  ao  mesmo  tempo atacar o flanco e Retaguarda de Ortuguez quando elle se rezolvese a esperar.

27/11 –
No  dia  27  marche¡  dos  CONVENTOS,  não  encontrando a poziçaó,  nem  descobrindo  vestigios  do  Inimigo,  mais  do  q.` alguns exploradores athe ao Arrojo das Tararias aonde cheguei no dia 3 do corrente.

(...)

3/12 – NOITE:
EL  DIA  TRES  me  hallava  campado  en  los CAMPOS  DE  DURAN,  y  tuve  parte  que  el  enemigo  seme  venia ensima  ato  que  tuve  avien  el  rretirarme  ala  Isquierda.  afin  de atacarlos  Porta  rretagua,  llegue  aquella  misma  noche  a  Pablo Pay.

3/12 – NOITE:
O  Tenente  Coronel  Pessanha  marchou  na  direcçaó  que lhe  foi  indicada  sem  encontrar  novidade  athe  o  ARROIO  DE  PABLO  PAES  onde  tambem  CHEGOU  NA  NOUTE  DO  DIA  3:

4/12 – 
y  llegado  el  dia  vimos  que  quasi  haviamos  dormido  juntos  con  el  enemigo

4/12 – MADRUGADA: 
NA  MADRUGADA  DO  DIA  SEGUINTE  descobrio  na  essa  frente  do outro  lado do Arroio  o  Inimigo,  que  ali  tinha  chegado  na  mesma  noute,
/ e parecendo-lhe  Em  força  de  300  homens  rezolveo  atacalo; 
[pelas  informarções  que  elle  [pessanha] me  da  o  Inimigo  aprezentou  huma força  de  mais  de  800  homens,  tendo  sido  favorecido  por  huma Nevoa  bastante  espega  para  a  encobrir]

[linha portuguesa]
/ atravessou  o  Arroio,  formou  na  sua  frente  colocando  a  Cavall." de V. Reaes nos flancos, e os Destacamt."° das Tropas do Continente  no  Centro:  
[linha oriental]
/ o  Inimigo  aprezentou  a  sua  linha  em  ordem extrema,  e  principiou  hum  fogo  m."  bem  surtido:  o  Ten."  C." depois  de  algum  tiroteio  de  Infanteria  carregou  com  a Cavallaria  de  V.  Reaes,  arrolou  toda  a linha  Inimiga  fazendo lhe  consideravel  estrago; 

ellos  me  atacaron  por  la  rretagua,  y  mi vangüa  p.r  hallarse  distante  no  se  halló  en  la  adcion  
/ yó  les presenté  la  Batalla  con  mi  Gente  de  rretagua  y  querpo  de rreserva,  quedando  el  campo  por  mio  haviendo  rrecivido  el enemigo  bastante  daño: vyó  precipitadamente

[Pessanha confunde atiradores de Silveira com inimigo e retira]
/ vendo  porem  aparecer  pela Retaguarda do Inimigo huma Columna de mais de 200 homens de  Cavallaria,  
/ outra  pela  ezquerda  ameaçando  o  seu  flanco direito,  

/ ao  mesmo  tempo  que  pelo  seu  flanco  ezquerdo  em maior  distancia  apareciaó  os  meus  atiradores,  e  que  elle  naó pode  entaó  reconhecer,  e  supoz  serem  Inimigos  tendo  alem disso  junto  a  forças  taó  consideravelm.'  superiores,  

/ mandou tocar  a  Reunir,  e Repassou  o  referido  Arrojo  de  Pablo  Paes, abandonando  o  Campo  do  Combate,  onde  tinha  alcançado vantagens consideraveis,

[Pessanha percebe o erro]
/ e foi só depois de o ter passado, e de estar  hum  pouco  preplexo  sobre  a Rezoluçaó  que  havia  de tomár,  que  elle  reconheceo  os  meus  Atiradores,  e  a  vanguarda da m." Columna.

O  Inimigo  naó  se  adiantou  mais  do  que  á  linha  dos  seus Atiradores,  e  lego  que  avistou  os  meus  ao  longe,  principiou a Retirar-se com precipitaçaó, tive todavia tempo para assacinar barbaramt.`  os  nossos  feridos,  que  tinhaó  ficado  no  Campo

4/12 – 1200H – 
Seria  pela  volta  do MEIO  DIA  guando  eu  cheguei á  vista do Arroio  Pablo  Paes,  e  como  entaó  o  Inimigo  hia  já  em  Retirada,  e  me  levasse  de  dianteira  m."'  mais  de  huma  legoa,  o  dia estivesse  mui  quente,  atropa,  e  os  Cavallos  fatigados  pela  violencia  da  marcha  de  mais  de  sinco  legoas,  que  tinhamos  feito naquelle  dia,  naó  era  possivel  podermos  alcançar  o  Inimigo, que  nos  leva  grande  ventagem  cm  ligereza  pela  falta  de bagagem;  mande¡  cm  consequencia  reunir  o  Ten. Coronel Pessanha,  e  vem  Acampar  neste  Sitio  do  Passo  do  Cordovez


pelas  informarçóes  que  elle  me  da  o  Inimigo  aprezentou  huma força  de  mais  de  800  homens,  tendo  sido  favorecido  por  huma Nevoa  bastante  espeça  para  a  encobrir;  defenden-se,  e  batense  com  bastante  pertinacia,  e  mostrou  mais  ordem  do  que  se dizia,

yo  he  tenido de  perdida  entre  muertos  y  heridos  veynte  yncluso  entre  ellos al Capitan D.n Man.l Galeana

5/12 – Silveira comunica a Lecor que marcha para Capilla Faruco. (mas a 9 /12 ainda está no arroyo Cordovés)

8/11 – Otorgués informa Rivera que vai para Capilla Faruco:
afín de  rreunir  mis  fuerzas  pues  tenia  algunas  partidas  arreunir  algunos  Paysanos  que  solo  con  volas  se  pueden  agarrar

Bibliografia

- Comisión Nacional Archivo Artigas, Archivo Artigas, Montevideo, Monteverde, tomo 31.

Apontamentos: A Coluna do Centro



30/7/1816 – ORD TGManuel Marques de Sousa ao Cor FELIX JOSÉ DE MATTOS, comandante da GUARDA DO CERRITO: 

9/8 – MADRUGADA: o TenCor Almeida, Cap João Marques e o Alf Milicias Feijó supreeendem a GUARDA DE ARREDONDO, fazendo 37 prisioneiros, incluíndo o comandante Eugenio de la Rosa, etc.

10/8 – MATTOS acampa no PASSO DO DAMÁSIO [Po. ORCOYEN?], no ARROIO SARANDI [DE BARCELÓ?]. Passo de Barcelos (mapa antigo)

11/8 – MATTOS faz alto em ARROYO MALO. Quando já montados para marchar caiu um raio e matou um soldado Miliciano, Francisco de Quevedo, da 8.ª companhia.

12/8 – Viemos para CHUY. 
Madrugada: Cap Manuel Joaquim reune-se com 15 homens.
SAENZ foi com 7 homens a bombear a marcha deste divisão. Morte vil de um pião no CHUY.
MELO: 2000h, BARNABÉ SAENZ, comandante do CERRO LARGO informa MATTOS que sai da vila com toda a guarnição, fazendo-o responsável pela segurança da vizinhança.

13/8 – 0000h, Albano de Oliveira e Bento Gonçalves apresentam-se no PASSO DE CHUY, fugidos do comando de SAENZ e dão a MATTOS a notícias da morte do pião.
0100h, MATTOS fez avançar a Legião reforçada com homens do Batalhão comandado pelo TenCor Paiva, e vindo amanhecer à margem do TAQUARY defronte de MELO já não achou os insurgentes que Saenz levava.
1300h, MATTOS informa o TG Sousa da sua entrada em MELO. Acampamento  junto ao rio TAQUARY, a noroeste da povoação. Chuvas e trovão. INFO Outorgés em SAPALHA com 600 homens

14/8 – Cap Manuel Joaquim sai com 81 homens de todos os corpos, a passar TAQUARY no PASSO DA CRUZ, e ir observar os movimentos dos insurgentes, e ver se obsta à junção de Otourgés com Artigas.
1700h, reuniu-se o Cap Gaspar Pinto Bandeira com 45 homens, que não atacou a guarda no dia 9 porque não pode atravessar o JAGUARÃO. 662 homens.

(...)

17/8 – MATTOS recebe oficio do cap Manuel Joaquim anunciando que: Rivera (?) tem uma força considerável em FRAILE MUERTO, e pretende-se reunir a Otourgés. Reunião inimiga possivel a 16 ou 17, no POSTO DE D. BERNARDO SOARES, a 5/6 léguas de Cerro Largo. Pretendem atacar.

18/8 –  MATTOS em CERRO LARGO

(...)

29/8 – OTORGUÉS informa Miguel Barreiro que os portugueses entraram até Cerro Largo. Esteve no potreiro de SAPALLÁR.

(...)

1/9 – O Alf da nova companhia de Cav ligeira de Milicias Manuel José Cavalheiro escreve a MATTOS: que nos dia 30 chegaram de ASEGUÁ dois enviados de Otourgés em procura dele, com uma carta de Ortougés e de mais oficiais, solicitando que se junte a eles. INFO: Otourgés já teria passado o RIO NEGRO a este lado com 1000 homens, que pelo dia 28 devia acampar em TUPANBAÉ à espera de 600 blandengues que Artigas lhe envia. Cap Manuel Joaquim diz que  (Otorgés) está em FRAILE MUERTO e não tem avançado.

(...)(...)

20/9 – SILVEIRA em PORTO ALEGRE, no conselho de guerra com Lecor e Alegrete:
“General Silveira, que marcha do Cerro Largo com 800 homens da DVR, e 800 do contingente  com as guerrilhas de Manoel Joaquim Antonio dos Santos” (etc)

[22/9 - BATALHA DE SANTA ANA (OESTE)]

(...)

4/10 – APARÍCIO já no CERRITO, 4 esquadrões: toda a cavalaria da DVR, excepto a da vanguarda (?). Só há 45 cavalos prontos...

12/10 – Falta de cavalaria para os 4 esquadrões da DVR em CERRITO
Lecor (alterações ao plano): “(...) tomo a resolução de fazer marchar o brigadeiro Silveira do Cerro Largo pela estrada da Coxila a Montevideo, de maneira que sempre se possa comunicar comigo, [...] ao mesmo tempo o meu flanco, e dominando o paiz”. (AA, 31a, p77)

21/10 – SILVEIRA chega a CERRITO (onde fica até 8/11) (f. Manuel Pedro de Mello)

[27/10 – BATALHA DE CARUMBÉ (OESTE)]

8/11 –SILVEIRA vai para o CERRO LARGO (f. Manuel Pedro de Mello)

[19/11 – BATALHA DE INDIA MUERTA (VANGUARDA)]
20/11 – SILVEIRA diz que no dia seguinte se põe em marcha do CERRO LARGO sobre Otorgués que ocupara FRAILE MUERTO. Marcha apenas a 22.

22/11 – SILVEIRA, Marcha do CERRO LARGO, fez alto no ARROIO DOS CONVENTOS e demorou-se 3 dias esperando a reunião das carretas que vinham do CERRITO com bolacha e que tiveram considerável demora. [Manuel Pedro de Mello refere que é a 23/11.]
23/11 – SILVEIRA em CERRITO +  4 esq (Aparício). Lecor ordenou-lhes que (estando sofrivelmente remontados) marchem ao CERRO LARGO a reunir-se com a Tropa do comando do coronel Felix José de Mattos e que depois avançasse sobre Otorgués que ocupava FRAILE MUERTO sobre a margem esquerda do RIO NEGRO, devendo depois descer pela Coxilha Grande na direção de MINAS.

26/11 – SILVEIRA destaca o TenCor PAIVA com 2 esq Legião do Rio Grande e um destacamento do Bat Infantaria, que marchassem pela margem direita, atravessassem o RIO NEGRO no PASSO MANSAGANO, explorasse a margem direita com objeto de cortar ou apanhar algumas cavalhadas ou partidas inimigas MANDA o TenCor PESSANHA + 1 esq DVR reunir-se a uma partida de 150 que havia mandado antes explorar a esquerda até GUAZUNAMBY, e que então se achava em ARROIO DE MUGA, ordenando-lhe que marchasse pelas cahidas da Coxilha Grande, em direção ao ARROIO PABLO PAES até se reunir comigo no CORDOVEZ, aonde tb se deveria reunir o TenCor Paiva.
27/11 – SILVEIRA marchou dos CONVENTOS, sem encontrar oposição ou vestigios do inimigo, mais do que alguns exploradores até ARROIO DE TATARIAS (TARARIRAS)

1/12 – SILVEIRA toma conhecimento da batalha de INDIA MUERTA através de carta do TenGen Manuel Marques de Sousa.

3/12 – SILVEIRA chega a a ARROIO DE TATARIAS (TARARIRAS?)
3/12 – TenCor PESSANHA chega ao ARROIO DE PABLO PAES.
4/12 – MADRUGADA: Pessanha descobriu o inimigo no outro lado do arroio, que ali tinha chegado na mesma noite, e parecendo-lhe uma força de 300 homens resolveu atacá-lo. BATALHA DE PABLO PAES.

PABLO PAES [Carta de 9/12] Mortos: Batalhão do Rio Grande (5 soldados); Milícias (1 furriel e 5 soldados); Guerrilhas (2 soldados), DVR (1 sargento e 21 soldados). Feridos:  Batalhão (1 cadete e 5 soldados); Milicias (1 furriel e 6 soldados); DVR (1 capitão e 6 soldados) Apresentaram-se no Cerro Largo 12 praças que andavam extraviadas e vão incluidas no numero dos mortos.

4/12 – 1200h, SILVEIRA chega à vista do ARROIO DE PABLO PAES

5/12 – NOITE: SILVEIRA em PASSO DO CORDOBÉS. Marcha na direção da CAPILLA FARRUCO. Manuel Pedro de Mello refere que o objetivo era chegar a MINAS.

[8/12 – SAUCE (VANGUARDA)]
9/12 – SILVEIRA, Acampamento na costa do CORDOVEZ. Numeros de mortos (35) e feridos (20) na batalha de Pablo Paes. (Archivo Artigas AA 31a p. 121)

14/12 – GY. (?) (arq. linhares)
Artilharia a Cavalo: Presentes 4-4-1-56 (4 of, 5 sarg, 1 clarim, 76 praças, faltam 1 clarim (tambor na infantaria e corneta na infDVR) e 25 soldados para completar) = 3-5-2-102
Cav DVR: Presentes 15, 15, 10, 336 (Destacados: 14-17-9-270) (36-35-22-703, faltam 0-0-2-58 para completar = 36-36-24-768
LV Rio Grande: Presentes 9-5-4-102 (estado efetivo 12-10-4- 209 + faltam 1-0-0-25) = 12-10-4-234
Cavalaria Milicias (...)
Batalhão de Inf DVR: Presentes – 6-8-4-156 (efetivo – 9-15-6-193 – completo – 8-12-4-200)
Bat Inf Art RG: presentes – 8-8-7-183 (efetivo – 13-10-9-322 / faltam 1-0-1-49 / completo – 12-10-10-368)


TOTAIS
Artilharia: 4 oficiais e 61 outros
Cavalaria: 24 oficiais e 472 outros (fora milícias do RG)
Infantaria: 14 oficiais e 366 outros
TOTAL: 42 oficiais e 899 outros (fora estado maior e cavalaria miliciana do RG)

(DUARTE) “Depois desta ação, a coluna avançou, atravessou o CORDOBES na PICADA DA PERDIZ sempre acossada pelo inimigo, seguiu pelas nascentes do LAS CAÑAS até ao RIO YI [14/12?], que foi transposto no PASSO D’EL-REI, onde hoje existe o povo de SARANDI.”

RIVERA e OTORGUÉS unem-se nas imediações de TORNEIRO, arroio que flui para o SANTA LUZIA-CHICO. Não se acertam e separam-se, Rivera saindo da zona. (vide CACERES, p. 394)

21/12 – “Atinge a barra do CASUPÁ, afluente do Santa Luzia-grande, onde foi hostilizada por guerrilhas orientais. ; aí conservou-se pelo espaço de 10 jornadas, abrigado nos potreiros da pequena povoação, após o que retomou a marcha para Montevidéu, costeando o Santa Luzia pela margem direita.”
Ficou em CASUPÁ até 31/12.
23/12 – “(...) athe  que  emfim  no  dia  23  DE DEZEMBRO  marchando das  CABISSEIRAS  DO  ARROIO  MILAM  para  a BARRA  DE  CASSUPÁ  em S.  LUZIA  encontrou  a vanguarda  da  Columna huma  piquena partida,  que  fugio  logo  deixando  comtudo  bastante  Gado  ” (Manuel Pedro de Mello)
Ficou 10 dias em CASSUPÁ.

(...)

3/1/1817 – SILVEIRA marcha para MINAS:
“(...) se nos aprezentou Fructuozo Ribeiro no PASSO REAL DE S. LUZIA com  sette a oitto Centos homens rianimados, e athe já orgulhozos pella perda da  nossa Vanguarda no desgraçado incontro do SOLIS; apezar deestarem em poziçaõ, cubertos com hum Rio, e arvoredo, o mesmo foi avançarmos lhe que fugirem.” (Manuel Pedro de Mello)

[3/1/1817 – BATALHA DE ARAPEY (OESTE)]
[4/1 – BATALHA DE CATALÁN (OESTE)]
4/1/1817 – SILVEIRA, Vila de MINAS. OD: COLUMNA DO CENTRO DO EXÉRCITO D’OPERAÇÕES

Coronel António Feliciano Teles (de Castro) Apparicio (DVR)
TenCor M. A. Pessanha (Antonio Manuel de Almeida Morais Pessanha?)
Maj José Pedro de Mello (Inf, DVR, 1.º RegInf, or. Inf24)
Maj Isidoro d’Almada e Castro (OC Art Cavalo)
1.º Ten grad Ricardo José Coelho (OC Art Cavalo)
Cap Gaspar Pinto da Costa (pelo reconhecimento que fez sobre a esquerda) 
Alf Domingos Crescencio (comando dos atiradores de Legião de Voluntários do Rio Grande)
Maj Dep QuartelMestre D. Gastão da Câmara
Alf Dep Ass QMG J. Pinto de Sousa
TenCor Dep AjudGen Conde de Linhares. pelo valor com que forçou o passo do ARROIO DE S. LUZIA, e perseguiu o inimigo
Sente que as feridas do Cap Cav (DVR) António Cerqueira [or. Cav 9; 2.ª companhia do 1.º CpCav] o privem temporariamente dos serviços. + Alf João Gomes [da Silva, or. Cav1, 1.º CpCav], ferido na carga do mesmo esquadrão.

13/1 – Chegam a PAN DE AZUCAR. Lecor já lá está há um dia.
15/1 – PAN DE AZUCAR. (arq conde linhares ?)

Duarte, pp. 241-sg  : Coluna Silveira

Bibliografia

- Comisión Nacional Archivo Artigas, Archivo Artigas, Montevideo, Monteverde, tomo 31.
. DUARTE, Paulo de Queiroz, Lecor e a Cisplatina 1816-1828 ( 3 vv.), Rio de Janeiro, Biblioteca do Exército Editora, 1984.